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A Governança nos Clubes Sociais e Esportivos

Por Fernando Faquin - Educador Físico e Gestor do Esporte, Gerente de Esportes do Clube ELASE – Florianópolis/SC e Sócio Proprietário da Inovação Esporte

Os Clubes Sociais e Esportivos trazem na sua essência o associativismo, sendo organizados como entidades sem fins lucrativos e pertencentes aos terceiro setor. Atualmente, segundo dados do IBGE, existem mais de 13.500 clubes no Brasil, que juntos possuem mais de 53 milhões de pessoas vinculadas e 300 mil empregos. Além disso, suas estruturas esportivas correspondem a mais de 80% do total de instalações esportivas oficiais no país, destacando-se como os principais fomentadores do esporte olímpico nacional.

Na grande maioria, conforme definição estatutária, os Clubes são administrados por um Conselho composto por membros associados eleitos para um determinado período ou gestão. Apesar de atuarem com o intuito de contribuir, geralmente não se dedicam integralmente, trabalham sem remuneração, e algumas vezes, não possuem conhecimentos de gestão e administração, o que contribui para a ruptura e descontinuidade de projetos, além da ausência de estratégias de longo prazo.

No cenário nacional, sob influência dos modelos de gestão americano e europeu, alguns clubes e entidades esportivas já perceberam que a administração profissional é essencial para o sucesso e sua sobrevivência, pois profissionalizando-se passam a adotar políticas claras, diretrizes e planejamento que definam suas ações

No mesmo sentido, a adoção de boas práticas de governança tornaram-se uma necessidade para a sustentabilidade desses clubes tendo em vista que estruturas efetivas de governança e compliance geram melhorias internas, ampliam a cultura ética, requisitos necessários para o acesso a recursos públicos regulamentados por leis.

Nota-se ainda que entidades externas como o Comitê Olímpico Internacional – COI e o próprio poder público exercem influência, através do fomento de suas políticas esportivas, no que concerne à adoção de boas práticas de gestão.

Um exemplo disso é a captação de recursos públicos oriundos do governo Federal, o qual exige a adequação, por parte dos Clubes, de seus estatutos e demais condutas, conforme as exigências previstas na Lei 9615/98, mais conhecida como Lei Pelé.

Na prática, o sistema de governança vai determinar de que forma o Clube será conduzido e gerenciado. Entre os princípios da governança, destacam-se a transparência, equidade, accountability e a responsabilidade corporativa, os quais quando aplicados, buscam garantir uma gestão mais descentralizada, com mecanismos de controle e transparência, visando sempre a longevidade da instituição e garantindo os interesses de todos.

Apesar da gestão amadora presente em alguns Clubes brasileiros, e das inúmeras dificuldades enfrentadas pelo setor, como a carência de políticas públicas efetivas de incentivo ao esporte e a falta de apoio da iniciativa privada, essa realidade vem mudando dia após dia.

Significa dizer, que neste cenário, ampliam-se as oportunidades aos profissionais que estiverem prontos e qualificados na área Esportiva e com conhecimento em Administração, Governança, Marketing e Legislações aplicadas, compreendendo o papel dos Clubes e a sua relevância na sociedade.

Fonte: https://www.foppagestaodesportiva.com.br/blog/a-governanca-nos-clubes-sociais-e-esportivos-por-fernando-faquin/